terça-feira, 23 de setembro de 2014

LER E ESTIMULAR A LEITURA É PRECISO

*Leon Bevilaqua

            É sabido que depois da leitura de um livro o nosso cérebro já não é mais o mesmo. Ao empreendermos a leitura de um livro, viajamos, sonhamos, crescemos. E isto é saudável, sem as emoções não somos nada.
            No dia 23 de abril comemora-se internacionalmente o dia do livro, data da morte de Cervantes, poeta, contista e romancista genial espanhol. O livro, embora seja pouco lido em nosso país, sempre foi reconhecido por grandes brasileiros.
            É de Monteiro Lobado a seguinte frase: “Um país se faz com homens e livros”. Para os que não têm ainda o bom hábito da leitura, é conveniente lembrar o que disse o bom poeta gaúcho Mário Quintana: “Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem”. Aos jovens e pais que só lidam com a internet e redes sociais, levem em conta que Bill Gates declarou: “Meus filhos terão computadores, mas antes terão livros”.
            Bertold Brecht, notável poeta e dramaturgo alemão, por muitos considerado o Shakespeare da língua alemã, nos alertava: “O pior analfabeto é o analfabeto político”. Com estas palavras ele nos chamava atenção para a necessidade de adquirirmos cultura política e, portanto, lermos obras históricas e políticas necessárias à nossa formação.
            Há uma forte correlação entre o zelo pelo patrimônio público e zelo pelo bem estar do povo e seu futuro. Devido a esta correlação, convém não esquecer que os que não cuidam do patrimônio público também não cuidam bem do futuro e prosperidade de seus povos, como fizeram os neoliberais que governaram a América Latina na década de noventa do século passado.
            Para um brasileiro bem tomar decisões políticas, dentre elas o voto, é preciso ler, no mínimo, bons livros sobre as últimas décadas vividas pelos brasileiros, entre eles (e principalmente), os escritos de Aloysio Biondi, Amaury Ribeiro Junior e Palmério Dória. Quem ler estes autores, dificilmente votará em candidatos sem compromissos com o povo. 
            Quando lermos bons autores, como Dostoiévski, Tolstoi, e Saramago, chegamos a importante conclusões em nossas vidas, entre elas a de que o ser humano é constantemente subestimado. Valemos e sabemos mais que os outros pensam.
            Respeitemos os conselhos de uma grande escritora norte americana: “Nunca se deve engatinhar quando o impulso é voar” e “Evitar o perigo não é, em longo prazo, mais seguro do que se expor a ele. A vida é uma aventura ousada ou não é nada”. A escritora a que nos referimos é Helen Keller (1880-1968), também filósofa e conferencista que demonstrou ao mundo que dificuldades não impedem o sucesso.
            Para nosso proveito, reproduzo aqui o pensamento de Helen Keller sobre o saber: “Aprendi, por exemplo, que a paciência é a preciosa virtude que nos faz vencer os mais terríveis obstáculos”. “Saber é poder”, diz a velha sabedoria, mas podemos dizer, ainda, que saber é possibilitar a felicidade. Obter conhecimentos extensos e profundos é necessário para saber discernir o bem do mal, separar as coisas nobres das vulgares e, portanto, saber achar a felicidade. Saber discernir as várias etapas da humanidade é perceber e compreender as pulsações da alma através do tempo.
            Festejar a vida é bom. Ler e estimular a leitura faz parte do que melhor se possa fazer, pois ela é um poderoso acelerador da maturidade.

            Notas:
1)    obras recomendadas sobre práticas políticas- todas editadas pela editora geração editorial:
- Aloysio Biondi- O Brasil Privatizado.
- Amaury Ribeiro Junior – A privataria tucana.
- Palmério Dória- O príncipe da privataria.
       2) o indicador de analfabetismo funcional de 2013 indicou que apenas 26% dos brasileiros são leitores plenos.
            3) estimular a leitura não é apenas obrigação do Estado, mas também do cidadão.
            4) Aos que desejam adquirir conhecimento em política e economia internacional, recomendamos a leitura constante da Revista Le Monde diplomatique editada em português no Brasil. O artigo “Acordo para privatizar os serviços”, da revista de setembro de 2014, está imperdível.

domingo, 30 de março de 2014

COMPARAÇÕES ENTRE O GOVERNO DUTRA E O GOVERNO ELEITO DE GETÚLIO VARGAS


*Leon Bevilaqua


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Governo Dutra – (1946-1951)


            O governo Dutra ocorreu após o governo interino de José Linhares, um presidente do STF que governou o país por noventa e três dias, depois da queda de Getúlio Vargas em 1945.

            Dutra teve um governo medíocre, os trabalhistas foram deixados de lado e não participaram do poder, apesar de nele terem votado. A UDN- partido elitista e contra os pobres, dominou o cenário político. As finanças estiveram mal dirigidas e a corrupção no Banco do Brasil incontida. Nosso país esteve subordinado aos interesses estrangeiros e o povo não teve um só aumento no salário mínimo.

            Uma das razões para que o povo estivesse mal é que o movimento sindical foi cerceado por uma legislação restritiva e os trabalhadores acuados pela ação policial. Ou seja, com Dutra a repressão à classe trabalhadora foi regra da política. Em alinhamento com os norte-americanos, houve o rompimento das relações com a União Soviética, uma decisão natural dentro do contexto.

           

-2-

            Mas no governo que sucedeu o de Dutra, o do presidente eleito Getúlio Vargas (1951-1954), o sindicalismo foi livre e o ministro do trabalho, João Goulart, foi um amigo e protetor dos interesses do povo. Foram efetuados dois aumentos do salário mínimo, o último deles de 100 %, além de ter sido criada a Petrobrás e outras entidades modernizadoras e benéficas à preparação de uma futura soberania plena da nação.

            Neste seu segundo governo, Getúlio caiu em agosto de 1954. As forças conservadoras queriam que tudo voltasse ao que tinham sido no governo Dutra. Queriam, principalmente, apropriar-se da Petrobrás- recém criada-, e privatizá-la com as demais atividades energéticas estatais, o que não conseguiram em parte devido ao trauma da morte de Getúlio. Essas forças não aceitavam o nacionalismo e o desenvolvimentismo de Getúlio Vargas e Goulart, mas os pretextos alegados foram a corrupção e outros absurdos.


Notas:

         
1. Nos tempos que antecederam o primeiro governo de Getúlio Vargas, a questão do voto feminino era bastante controversa. A revista “O malho”, à época, em uma charge de capa, sugeriu que, no dia em que as mulheres fossem eleitas para o Congresso, entre elas o plenário se restringiria a pontos de bordado, plissês e peças de tecidos. Inúmeros parlamentares e juristas se manifestavam frontalmente contrários à participação feminina na política. Houve até mesmo quem afirmasse que a instituição do voto entre as mulheres seria algo “imoral e anárquico, capaz de provocar a dissolução da família brasileira”. Ocupando o cargo de chefe do governo provisório, Getúlio Vargas baixou o Decreto-lei de n. 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, instituindo o voto feminino no Brasil. As mulheres argentinas só obteriam tal conquista na década de 50.

2. Há um fato histórico, pouco comentado, que demonstra a boa vontade de Getúlio com os pobres e oprimidos: o Decreto-lei nº 1202, publicado em 8 de abril de 1939, durante o primeiro governo de Getúlio, que vetava ações que coibissem os cultos religiosos. Antes de Getúlio, comuns eram as perseguições policiais aos cultos religiosos dos negros, que eram chamados de sessões de macumbaria.


3. Como no governo Dutra não houve um só aumento do salário mínimo, a questão social herdada por Getúlio era gravíssima, de forma que ele teve que dar dois aumentos no salário mínimo no seu último governo.


4. Carlos Lacerda, após a morte de Vargas, foi perseguido pelo clamor público e pediu asilo no Galeão e outros locais.

5. No segundo governo de Vargas existiram pressões exigindo o envio de tropas brasileiras para a Coréia, na época em que esta se encontrava em guerra, na década de 50. Estas pressões eram exercidas principalmente pelos que desejavam a manutenção de uma política de estreita colaboração com os Estados Unidos, o que ocorrera no governo Dutra. Getúlio não enviou um só homem para a Coréia, tendo auxiliado, simbolicamente, com o envio de medicamentos e café.

6.

a) Leitura fundamental para a boa compreensão dos governos de Getúlio Vargas é a do livro de Hélio Silva, “1954: um tiro no coração”, publicado atualmente pela LPM pocket-volume 619 da editora.

b) Leitura que leva à boa compreensão das relações entre Getúlio e João Goulart: “João Goulart- uma biografia”, de Jorge Ferreira, publicado pela editora Civilização Brasileira, em 2011.

7. Leituras valiosas sobre Vargas e seus períodos de governo:

a) Discurso do Deputado Federal Artur Bernardes, proferido na sessão extraordinária do dia 15/09/1953;

b) A carta testamento deixada por Vargas;

c) Discurso de João Goulart, no cemitério de São Borja, diante do caixão de Getúlio Vargas;

d) Discurso de Oswaldo Aranha, pronunciado por ocasião do enterro de Getúlio Vargas, em São Borja.

8. Desde os tempos de Vargas, privativistas tentam se apoderar das empresas estatais energéticas. Eles têm consciência de que se conseguirem fazer isso por completo, terão dominado a nação. A Petrobrás é sempre o maior alvo.


9. Getúlio Vargas foi o fundador do Estado Moderno brasileiro, promotor das maiores reformas sociais e econômicas verificadas em nossa história, com direitos trabalhistas e industrialização. Quem nega isso está com conversa fiada.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Juscelino terminou de construir Brasília na marra – a luta de JK para construí-la e o atrevimento de alguns.


*Leon Bevilaqua

           

            Juscelino Kubtschek, presidente do Brasil entre 1956 e 1961, em junho de 1959, rompeu com o FMI. Ele estava irritado, acreditando na existência de um conluio para paralisar em definitivo a construção de Brasília. Seu ministro Lucas Lopes, um americanófilo, apoiado pelo nada nacionalista Roberto Campos, disse-lhe para suspender as obras. Indignado, Juscelino aproximou-se dos economistas estruturalistas, que consideravam a tutela do FMI um empecilho para o desenvolvimento da América Latina. Ambos os conselheiros liberais foram demitidos por JK.

Notas:

1)  Quando o udenista Adauto Lúcio Cardoso perguntou ao líder Carlos Lacerda se a capital ia mesmo mudar, ouviu: “vai nada, Juscelino não é de nada. Isso vai é desmoralizá-lo, porque ele não dará conta”. Provocação e desafio. Brasília, depois dessa, além de prioridade era questão de honra para JK. Adauto Lúcio Cardoso e Lacerda participaram ativamente do movimento golpista que depôs o presidente João Goulart, em março de 1964.

2)  Lucas Lopes e Roberto Campos foram agentes do liberalismo em sua luta contra o nacional-desenvolvimentismo que caracterizou a ação do Estado Brasileiro.

3)   Lucas Lopes conspirou contra o governo de João Goulart em 1964, situando-se entre os que após tentarem conquistar o Estado pelas vias legais, optaram pela via golpista como meio de chegar ao poder e concretizar suas ideias.

4)   Carlos Lacerda foi jornalista e orador brilhante do século XX brasileiro. Entre boa parte dos intelectuais brasileiros da atualidade, inclusive Saul Leblon, na revista Carta Capital, estabeleceu-se um consenso: Carlos Lacerda, hoje, é amplamente desprezado pela História como alguém que usou o jornalismo e a política para favorecer poderosos inimigos do povo, inclusive estrangeiros. Não hesitou em perseguir de forma cruel, até a morte, Getúlio Vargas, tendo perturbado enormemente os governos de Juscelino e João Goulart. Tentou perturbar também o regime militar instalado em 1964, mas foi contido com a cassação de seus direitos políticos em 1968. Não há quem queira ser tido pela posteridade como um vendido, um homem vil como Carlos Lacerda. 

5)    Trecho de um depoimento de Juscelino a respeito do rompimento que fez com o FMI: " Cada dia, crescia a intransigência dos técnicos daquele órgão. Não havia contraproposta que os satisfizesse. Em princípio de junho de 1959, veio o desfecho. Decidi romper com o Fundo e prosseguir, sem nenhum auxílio exterior, no meu programa de desenvolvimento. Logo a revista Time surgiu em campo, antegozando as dificuldades que o Brasil iria enfrentar: ' o Presidente do Brasil está num beco sem saída'. Essa era a manchete, característica da tradicional falta de acuidade política dos norte-americanos. Num beco sem saída, estaria sim, se me houvesse submetido às imposições do Fundo; pois teria que abrir mão do programa de metas; deixaria o povo passando fome; não construiria Brasília; nem realizaria a industrialização do país".
    
     Obs.: Este texto foi citado por Hélio Silva, em seu livro sobre o Presidente Juscelino, editado pela Editora Três.

6)   Em dezembro de 2013, a Comissão da verdade paulista concluiu que Juscelino foi assassinado por razões políticas em 22 de agosto de 1976 (ver link: http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2013/12/juscelino-kubitschek-foi-assassinado-conclui-comissao-da-verdade-de-sao-paulo-7241.html). Existe documentação coletada por aquela comissão com indício de que o ex presidente foi alvo de uma conspiração, e não morto em um acidente de carro. O motorista de Juscelino, Geraldo Ribeiro, teria levado um tiro na cabeça e, por esse motivo, perdido o controle da direção de um carro opala e batido em um veículo de carga, matando Juscelino. Isso teria ocorrido na via Dutra, na altura da cidade de Resende, no Rio de Janeiro. O crime teria ocorrido durante o governo do presidente Geisel e, segundo a comissão, os indícios apontam que os mandantes do crime foram os generais Golbery do Couto e Silva – então ministro da casa civil da presidência da república, e João Batista Figueiredo, que na época comandava o Serviço Nacional de Informações, tendo sido ele nomeado como último presidente militar do país dois anos depois.

sábado, 23 de março de 2013

Opiniões contrárias


*Leon Bevilaqua

- Um texto em que se fala de inimigos e amigos da obra de Getúlio Vargas-


            Somados os dois períodos à frente do poder, GETÚLIO VARGAS passou dezoito anos e meio no Catete, o palácio presidencial situado na anterior capital do Brasil, o Rio de Janeiro. Houve tempo e ações que o tornaram o mais importante personagem da História política nacional, tendo deixado uma obra de monumental estadista, protetora dos interesses do nosso povo.

            Há um consenso: não houve ninguém como ele que provocasse tanta paixão e ódio. Após aproximadamente sessenta anos de sua morte- (ocorrida em 24/08/1954) - sua sombra e seu pensamento ainda estão a nos envolver.

            Seu pensamento e ações ainda provocam contestações, desafiando exegetas, antagonizando analistas.

            Para os que não são elitistas e respeitam o povo, nos deixou uma herança de inestimáveis realizações a serviço da soberania do país e em nome do engrandecimento do povo brasileiro.

            Para os equivocados, os mal intencionados, os entreguistas e traidores da pátria, nos deixou um legado maldito, que prejudica o presente e retarda o avanço da sociedade brasileira.

            Fernando Henrique Cardoso, um neoliberal que foi um dos piores presidentes que este pais já teve, tentou destruir a obra de Vargas. Foi inútil, embora tenha ele privatizado de forma irracional boa parte do patrimônio público nacional.    Contra ele e seu fiel escudeiro José Serra, pesarão bastante perante a História os escritos que nos foram deixados por Aloysio Biondi e Amaury Ribeiro Junior.  

O sucessor de FHC, um grande presidente trabalhista, pensou de modo radicalmente oposto. Lula jamais escondeu sua admiração e respeito por Getúlio. Em setembro de 2010, assinou a lei 12.326, que oficialmente inscreveu o nome de Getúlio no livro dos heróis da pátria, que se encontra no panteão da liberdade e democracia em Brasília.

            De um modo geral, pode-se afirmar que os inimigos do pensamento e da obra de Getúlio, na atualidade, devem ser encarados com descrédito e suspeita. No passado, não foi à toa que Lacerda, um dos mais cruéis detratores de Getúlio foi um dia chamado de corvo. Ele e outros inimigos de Vargas terão lugares tristes na História política do Brasil.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

FICHA DE LEITURA DE UM LIVRO REVELADOR

* Leon Bevilaqua

              CELSO FURTADO E O MINISTÉRIO DA CULTURA

          O líder intelectual do desenvolvimentismo, autor de vários livros notáveis de História e Economia, o defensor incansável da industrialização brasileira, o idealizador da Sudene, o Ministro do Planejamento, o economista patriota, todos conhecem.
             UM HOMEM MENOS CONHECIDO
          O leitor culto e atento de literatura nacional, intensamente brasileiro e cidadão mundial, se revela ao grande público no livro Ensaios sobre a Cultura, volume cinco da coleção Arquivos Celso Furtado, editado pela Contraponto em abril de 2012, com útil introdução da viúva de Celso Furtado, a senhora Rosa Freire D’Aguiar Furtado.
          Desde jovem, Celso Furtado percebera que “o instrumental da economia era insuficiente para entender os problemas do Brasil e do mundo; e que o uso generalizado, e até abusivo, da matemática, e dos grandes modelos econométricos, deixara de lado outras variáveis importantes”.
          Entre os significantes ensaios feitos por Celso Furtado, constam neste livro a homenagem a Jorge Amado e o discurso de posse na Academia Brasileira de Letras em 1997.
          Em textos esclarecedores, evidencia-se o pensador das relações entre economia e cultura, o formulador de políticas culturais quando foi Ministro da Cultura entre os anos de 1986 a 1988 – no governo Sarney. Hoje se sabe que um dos méritos do presidente Sarney foi ter tido Celso Furtado como ministro.
          Ele foi indicado para o cargo por Sarney, após receber o presidente abaixo assinado com 176 assinaturas, encabeçado por Oscar Niemeyer, Antônio Cândido, Antônio Houaiss, Barbosa Lima Sobrinho, Chico Buarque, Tom Jobim e muitos outros intelectuais.
          Em textos breves e qualificados, Celso nos falou de Darcy Ribeiro, Jorge Amado, Machado de Assis, Euclides da Cunha e outros brasileiros das letras. Referiu-se, também, à sua atuação no Ministério da Cultura, nos quase três anos em que nele permaneceu.
          Neste volume, existem dois artigos de intelectuais ligados à cultura, um de Oswaldo de Araújo e outro de Fábio Magalhães. Ambos abordam a ação de Celso Furtado no Ministério da Cultura. O livro é finalizado com duas entrevistas com Celso Furtado, a primeira feita a Hélène D’arc e Hélène le Doaré, e a segunda a Gabriela Marinho.
          Esta obra revela um lado menos conhecido de Celso Furtado, mas não menos importante e merecedor de atenção.
          NOTAS:
          1) Trecho da homenagem a Jorge Amado:
          “As considerações que aqui faço são de um leitor sem maiores pretensões, que durante meio século acompanhou a montagem desse formidável afresco da sociedade nordestina que são os seus livros, nos quais tanto aprendemos sobre o que somos e como somos”.
          2) Trechos do ensaio – Machado de Assis: contexto histórico:
          a) “a mistura de ceticismo e humorismo que constitui o cimento desta obra revela um pensador subterrâneo que enviasse mensagens aos leitores do futuro”.
          b) “só a continuidade do sistema monárquico com sua simbologia encarnada na pessoa do imperador explica a preservação da unidade nacional brasileira”.
          3) No ensaio – Machado Metafísico, Celso Furtado manifestou especial apreço ao conto machadiano “Pai contra Mãe”, considerando-o um autêntico ensaio sociológico.
          4) No ensaio- Pressupostos da política cultural, Celso Furtado nos fala de um velho e bom princípio da economia política: “ Ao Estado cabe mais do que abrir espaço para que atuem as forças do mercado. Tarefa não menos importante é introduzir modificações estruturais que corrijam a tendência à concentração da renda e da riqueza”.
          NOSSO COMENTÁRIO:
         
          Na sofrida década de 90, do século passado, no Brasil, Argentina, Peru e Chile, os governos neoliberais deixaram de lado a introdução de políticas estruturais que corrigissem a tendência à concentração de riqueza. Mais que isso, privativistas apoderaram-se do Estado e realizaram a privatização de grandes empresas estatais. Ainda há quem tente, ferozmente, voltar ao governo federal para se apoderar de empresas básicas e essenciais à nação, como a Petrobrás, o Banco do Brasil, o BNDES e a Caixa Econômica.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Um livro sem capa - Recordações de um bibliófilo


* Leon Bevilaqua


Já estamos no início do terceiro milênio, vivendo sob o governo desenvolvimentista e amigo do povo de Dilma Rousseff. A situação econômica dos brasileiros melhorou significativamente e as carências são menores, diferentemente da condição de muitos desses brasileiros na infância.
Há sessenta anos, o acesso a livros era raro, e os que haviam eram quase todos impressos em papéis ruins, sem qualidade minimamente satisfatória. As cidades não tinham bibliotecas públicas como hoje, não havia livros digitais e o preço alto fazia com que o produto fosse, na prática, um artigo de luxo. Quando criança, sentia-me privilegiado por ter livros de Monteiro Lobato e alguns clássicos de literatura de língua portuguesa, entre eles Machado de Assis e Eça de Queiroz.
Soube, alguns anos após essa época, que uma família amiga tinha apenas um livro em casa, herança que uma jovem dessa família recebeu de um tio seu. Ele não tinha capa nem as páginas iniciais, de forma que a moça não soube o nome do autor e da obra. Foi assim que ela teve o prazer de conhecer a literatura.
Tempos depois, para ter acesso a livros, uma vez que a maioria das escolas não tinha bibliotecas, as crianças que gostavam de ler tinham que pegar ônibus e ir até as bibliotecas circulantes. Isso quando tinham a sorte de habitar cidades que tinham essas bibliotecas.
Os momentos dentro dos ônibus foram classificados por muitos, já não mais crianças, como inesquecíveis. Muitos continuam correndo atrás dos livros até hoje.
A jovem minha amiga, do livro sem capa, teve uma juventude difícil e carente. Casou-se com um rapaz que, na triste década de noventa do século passado, perdeu o emprego e, para garantir o sustento da família, montou uma banca de camelô. A amante dos livros acabou substituindo o marido na banca, que foi transformada em ponto de troca de livros. Mais tarde ela teve uma banca de jornal que em pouco tempo virou um sebo.
A mulher foi trabalhar em uma escola como monitora de alunos e, logo depois, conseguiu um emprego na biblioteca da escola. Neste trabalho, combateu a fama de que as bibliotecas são ambientes que cheiram mal.
Não sei o que aconteceu a essa amiga minha, pois tomamos caminhos diferentes. O certo é que em comum tínhamos o amor pelos livros. Eu cultivo o amor à leitura em minhas filhas e ela nos seus filhos.

Notas de um bibliófilo:

  1.   Bibliotecas são espaços reservados para a produção de conhecimento, o que se obtém através da ação/leitura. Para tanto, ela deve ser incentivada. Nesse sentido, é importante que as bibliotecas sejam ambientes abertos, dinâmicos e agradáveis.
  2.    Estimular a leitura não cabe apenas aos professores de língua portuguesa e de literatura. Instigar estudantes a ler é uma tarefa que deve começar em casa com os pais, e que deve continuar com todos os professores, do ensino infantil até as universidades.
  3.    Obras contemporâneas são importantes, mas nunca se deve deixar de lado os clássicos. Detalhes de épocas passadas, diferentes estilos de escrita, e o mais surpreendente: uma obra antiga pode ser mais atual do que se espera.
  4.     Leitura não é algo que deve ser instigado e cultivado apenas dentro das escolas. Diferentemente do que muitos pensam, muito além de formar alunos leitores, devemos ajudar crianças e adultos a encontrar o prazer que a leitura é capaz de proporcionar.
  5.    Conforme dados do IBGE de 2009, 378 municípios brasileiros não tinham bibliotecas públicas naquele ano. Só no Estado de São Paulo, eram 26 cidades.
  6.   Até hoje, em muitos lares brasileiros, não há um só livro. Seria extremamente positivo que na cesta básica alimentar recebida pelos trabalhadores mais pobres, houvesse a surpresa de um livro. O fato da cesta básica levar um livro para o trabalhador uma vez por mês, possibilitaria que tais pessoas e suas famílias formassem em casa uma pequena biblioteca, uma forma criativa de aproximação com livros. Esta é uma ideia defendida por gente generosa, mas que precisa ser suportada principalmente pelo Estado. Uma outra forma de aproximação com os livros seria as entidades empregadoras passarem a dar livros a seus empregados nas datas festivas, como aniversário, natal e outras.
  7.    Para bons bibliotecários, mais importante que a biblioteca ter um bom acervo e boa estrutura, é o público usufruir. Se o acervo ficar guardado, sem uso, não adianta nada ter.
  8.    "O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado". Mário Quintana em O caderno H.
  9.     "Os livros têm os mesmos inimigos que o homem: o fogo, a umidade, os bichos, o tempo; e o seu próprio conteúdo". - Paul Valery.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A vida quer é coragem - um livro de leitura altamente recomendável

*Leon Bevilaqua

No futuro, muitos serão os escritos a respeito da primeira presidenta do Brasil, a economista Dilma Rousseff. Por inúmeras razões, entre elas o grande valor e coragem por ela demonstrados no decorrer da campanha eleitoral presidencial de 2010, quando enfrentou José Serra, um neoliberal entreguista que contou com apoio integral da velha imprensa. Aliás, valor e coragem nunca faltaram a esta mulher que se bateu contra um câncer pouco tempo antes de se candidatar a presidente, tendo sempre enfrentado consideráveis adversidades. Suas lutas em favor do povo mais sofrido desse país, antes e depois de assumir a presidência, terão se transformado em verdadeira lenda dos tempos atuais-apesar das tecnologias de documentação já existentes.
Neste futuro, ainda se falará da obra pioneira de Ricardo Batista do Amaral, seu primeiro biógrafo, jornalista autor do livro “A vida quer é coragem”. No texto, é abordada a vida de uma mulher sensível e resoluta, que ama a obra de Cecília Meirelles, que gosta em especial do poema que diz:
“Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar/ e a voltar sempre inteira”.
Estes versos constituem a síntese da trajetória dessa mulher incomum.
Ela foi a primeira mulher a ocupar cargo de chefia relevante na prefeitura de Porto alegre e no estado do Rio Grande do Sul.
Nos governos do presidente Lula, a primeira mulher ministra das minas e energia e chefe da casa civil. Nesses cargos, demonstrou capacidade ímpar de gestora, o que levou Lula a indicá-la como candidata a presidente e a apoiá-la na escalada á presidência da república.
É a leitura deste livro, que conta a trajetória de Dilma e boa parte da história política de nosso país no século passado, que recomendamos aqui.

Livro recomendado:
A vida quer é coragem.
Assunto: Biografia de Dilma Rousseff inserida num fundo histórico
Autor: Ricardo Batista Amaral

1ª Edição
Acabamento: brochura
Formato médio: 15,9 cm X 23 cm
Capítulos: 22
Peso: 680 g 
Editora: Primeira pessoa- Sextante.
Número de páginas:304
Ano de Publicação:2011.



Notas:


1) Entre os resultados da pesquisa feita por Ricardo Batista do Amaral para escrever esse livro, está o achado da foto de Dilma sendo interrogada pela justiça militar em novembro de 1970, que está inserida no livro e em sua contra-capa.
Dizem que essa foto fará com que Dilma entre para a História, mas Dilma dela fará parte sobretudo pelas suas políticas de inclusão social e proteção do patrimônio público da ganância de certos privativistas.
2) O texto do livro é elegante e preciso. Uma das melhores reportagens políticas já escritas nos últimos tempos. É também um ensaio sobre uma nação que se deixou cortar por décadas até se revelar novamente inteira.
3) Ricardo Batista Amaral faz parte de um escolhido grupo de amigos da presidenta, de quem cuida e troca confidências.
4) O pai de Dilma, Pedro Roussef, era um homem culto e bastante amigo da filha. Foi ele quem lhe apresentou os clássicos Zola, Dostoievsky e Balzak, que foram bastante lidos por ela.
5) O autor deixou de citar um importante fato do segundo turno das eleições presidenciais, ocorrido em 16 de outubro de 2010, num sábado, em Canindé do Ceará, na Igreja de São Francisco. Em missa oficiada pelo Frei Francisco Gonçalves, um religioso de reconhecida bondade, nordestino de Campina Grande, o então candidato a presidência José Serra e o ainda Senador Jereissati foram desmascarados em suas campanhas pseudo religiosas pelo oficiante que, quase ao final da missa, proibiu a distribuição de panfletos detratores de Dilma, falsamente atribuídos e assinados pela CNBB.
 O político Tarso Jereissati - que acompanhava a missa ao lado de José Serra, se  exaltou e afirmou que "eram uns padres petistas como aqueles que estavam causando problemas à Igreja". Partidários de Jereissati e José Serra também se exaltaram e o Frei teve que ser escoltado na saída da Igreja.
O infortúnio de Serra começou já ao chegar ao local, quando foi vaiado do lado de fora da igreja por manifestantes pró Dilma. Na saída, o candidato chegou a ser empurrado em novo conflito em que quase caiu.
Apesar dos papéis nada edificantes desempenhados por certos líderes religiosos na campanha presidencial de 2010, ainda restam valorosos líderes como Frei Francisco Gonçalves, Dom Pedro Casaldáliga e Dom Tomaz Balduíno, que não se associam com poderosos e mantém seus compromissos com os ensinamentos do mestre.
6) No fim do capítulo 21 do livro, na página 298 desta edição, o autor nos fala do papel desempenhado pelo Papa na eleição presidencial de 2010. É um dos tópicos mais importantes do livro.
7) No texto é abordada a importância do apagão elétrico no governo FHC/Serra - que possibilitou em grande medida a ascensão de Dilma.
8) Nos blogs da revista Veja, sempre mordazes em relação aos trabalhistas e amigos do povo, esse livro foi classificado como hagiografia.